“Caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento, no sol de quase dezembro, eu vou….”
- Camila Monteiro
- há 3 dias
- 2 min de leitura

Ahhhh, a mobilidade! Ser DV te obriga a saber se orientar e ter a coordenação motora de caminhar, usar a bengala, pra quem a usa, explorar o ambiente onde se está e, ao mesmo tempo, conhecê-lo ou reconhecê-lo.
Este conjunto de ações é fundamental pra seguir a vida com o máximo de autonomia que se conseguir, com segurança e confiança suficientes para correr menos riscos.
Usar a audição e o olfato para se localizar, intensificar o treinamento dos demais sentidos para que eles funcionem como olhos e incorporar no cotidiano a união entre os movimentos e esta prática permite que a nossa mobilidade seja cada vez mais qualificada e bem-sucedida.
Não existe receita nem manual: o negócio é treinar, ensaiar mesmo. Com o tempo, encontramos a melhor forma de fazer com que tudo isto funcione, entendendo que não existe um padrão a seguir pra quem é deficiente visual.
Sugiro que, no começo, sempre se tenha alguém pra te acompanhar.
Pode-se partir de brincadeiras e dinâmicas simples, como tentar adivinhar quem canta ou quem está falando em músicas e filmes, programas ou séries, tentar descobrir aqui instrumento musical pertence o som que está se ouvindo, adivinhar que objeto se está tocando, qual a bebida ou comida se está provando, que peças da casa se está adentrando e como os móveis estão dispostos, enfim, são alguns exemplos para treinar a audição, o tato, o olfato e o paladar.
A partir daí, se começa a desbravar ambientes, misturando a caminhada com o reconhecimento através dos demais sentidos, o que torna possível o avanço do processo: sair de casa e praticar isto, primeiro, dentro do meu prédio, casa ou condomínio, passando pro segundo passo, calçadas e ruas próximas à ti, o terceiro passo, ao ir aos lugares que se está acostumado e, depois, conhecer novos ambientes. Aqui, já se pode incluir o treinamento com a bengala, mesmo pra quem tem baixa visão com perda gradativa visual e doenças oculares sem cura e sem tratamento: sempre falo sobre isto porque, quanto antes a gente começar a incluir a bengala na nossa vida, mais rápido e fácil será o alcance de uma autonomia cada vez melhor, além de potencializar a mobilidade. Não é uma questão de negatividade, pessimismo ou praga, por favor, não me entendam mal!😛🤣😄🙃! É agir antes, é prevenir um perrengue maior no depois, agir na causa do menor efeito: na melhor das hipóteses, se não precisar usar a bengala, se agrega ainda mais qualidade e sucesso no ganho de mobilidade. E, na pior das hipóteses, já saímos ganhando com o treinamento da bengala, podendo usá-la a qualquer momento com bem menos dificuldade e, principalmente, com uma maior aceitação.
Então, meus queridos, partiu intensificar estas práticas e buscar mais autonomia e mais qualidade de vida. E não se esqueçam de se divertir no processo. A vida do DV já não é fácil, portanto, aproveitar as oportunidades que as dinâmicas e brincadeiras citadas dão pra gente é sinal de inteligência emocional, Resiliência e auto respeito. 😉😌😍



Comentários